O Cerne da Acusação
Em comunicado oficial de 18/07/2025, The Document Foundation (TDF), mantenedora do LibreOffice, acusou a Microsoft de “sabotar deliberadamente a interoperabilidade” entre suites de escritório. O alvo: implementação não padronizada do formato OOXML (Office Open XML) no Microsoft 365, criando incompatibilidades que forçam usuários a permanecerem no ecossistema fechado.
“Documentos salvos como .docx ou .xlsx no Microsoft 365 falham ao serem abertos no LibreOffice, enquanto funcionam perfeitamente no Office. Isso não é acidente – é estratégia”
— Italo Vignoli, Co-fundador da TDF
Contexto Histórico: A Batalha ODF vs. OOXML
- 2006: Microsoft submete OOXML à ISO (Organização Internacional de Padrões) sob críticas de “padrão desnecessário”, já que o ODF (OpenDocument Format) era padrão aberto consolidado.
- 2008: OOXML é aprovado como ISO/IEC 29500 após polêmica sobre lobby agressivo.
- 2023-2025: Usuários reportam erros críticos ao abrir arquivos OOXML gerados no M365 em alternativas (LibreOffice, OnlyOffice):
- Fórmulas do Excel quebradas
- Layout de documentos distorcidos
- Metadados corrompidos
Evidências Técnicas Apresentadas
O LibreOffice demonstrou três falhas intencionais:
- Extensões Proprietárias em Arquivos “Abertos”
A Microsoft insere tags não padronizadas em documentos OOXML, ignorando a especificação ISO 29500. Exemplo:
- Falsos Positivos de Corrupção
Arquivos criados no M365 exibem alertas de “corrupção” ao serem abertos no LibreOffice, mesmo funcionando perfeitamente no Office. - Bloqueio de Recursos Essenciais
Funções como AutoSave e Coautoria em Tempo Real só operam se todos os usuários estiverem no M365.
Impacto no Mercado (Dados Chave)
| Indicador | LibreOffice | Microsoft 365 |
| Usuários Ativos Globais | 280 milhões | 1.2 bilhão |
| Adoção em Governos (UE) | 41% | 68% |
| Taxa de Migração (2024) | +17% YoY | -3% YoY |
| Fontes: StatCounter, Document Foundation, EU Digital Governance Report |
Resposta da Microsoft
Em nota à TechCrunch, a empresa negou má-fé:
“Nossas inovações priorizam a experiência do usuário. Trabalhamos com a ISO para evolução do OOXML e oferecemos ferramentas de compatibilidade”
— Frank Shaw, VP de Comunicação da Microsoft
Entretanto, a empresa não comentou sobre:
- O cancelamento do Office Compatibility Pack em 2024;
- Limitações do conversor online M365-LibreOffice.
Repercussão Global e Ameaça Regulatória
- União Europeia: Abriu consulta sobre violação do Digital Markets Act (DMA), que exige interoperabilidade (Art. 6). Penalidades podem chegar a 10% do faturamento global.
- Brasil: Serpro e Dataprev avaliam migração para suites baseadas em ODF após “incidentes de incompatibilidade”.
- ONGs: Free Software Foundation classifica a prática como “Embrace, Extend, Extinguish 2.0”.
Como Usuários Podem Se Proteger
A TDF recomenda:
- Exigir fornecedores que usem ODF padrão ISO/IEC 26300 (.odt, .ods);
- Habilitar “Salvar sempre no formato ODF” no LibreOffice;
- Usar a extensão “Microsoft-OOXML Strict Mode” para forçar conformidade;
- Reportar incompatibilidades ao Gabinete de Interoperabilidade da UE.
Conclusão: Mais que Tecnologia, uma Questão de Soberania Digital
O embate expõe a tensão eterna entre abertura e controle. Enquanto a Microsoft prioriza aprimoramentos proprietários, o LibreOffice defende ecossistemas inclusivos. Para governos e empresas, a escolha transcende custos: é sobre independência tecnológica e preservação de dados a longo prazo.
A bola agora está com reguladores. Se a UE confirmar as práticas anticompetitivas, poderá forçar a maior reformulação no Office desde os anos 90.
Dica para Empresas: Documentos críticos devem usar PDF/A ou ODF – únicos formatos com preservação garantida em 50+ anos.
Fontes Oficiais:
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