Rumores sugerem que o USTR, a pedido do presidente Donald Trump teria iniciado uma investigação contra o sistema de pagamentos brasileiro. O que há de verdade nisso?
Brasília / Washington – 16 de julho de 2025 — A expressão “EUA abre investigação contra Pix” tem dominado as buscas e redes sociais nos últimos dias, alimentando especulações de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos estaria na mira do governo norte-americano sob ordem do presidente Donald Trump. As suposições giram em torno de uma nova investigação comercial anunciada pelos EUA nesta terça-feira (15), mas os fatos apontam para outra direção.
Continue lendo para entender o que há de oficial, o que foi distorcido e como o Brasil deve responder.
Entenda a origem da polêmica
O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), vinculado à presidência dos EUA, anunciou em 15 de julho de 2025 a abertura de uma investigação sob a Seção 301 do Trade Act, que visa apurar práticas comerciais desleais adotadas por países que afetam empresas norte-americanas.
Segundo o comunicado oficial:
“A investigação irá avaliar práticas do Brasil no comércio digital, incluindo políticas de armazenamento de dados, pagamentos eletrônicos, direitos de propriedade intelectual e possíveis restrições a fornecedores estrangeiros.”
— USTR, 15/07/2025
Embora o texto mencione o setor de pagamentos eletrônicos, não há qualquer citação direta ao Pix, tampouco menção a qualquer medida direcionada ao Banco Central do Brasil.
Trump está envolvido?
O rumor se intensificou porque a medida ocorre durante o governo de Donald Trump, reeleito em 2024. No entanto, o anúncio partiu do USTR — um órgão com autonomia técnica para conduzir investigações comerciais, e não do presidente de forma direta.
Além disso, até a data de publicação desta matéria, Trump não se pronunciou sobre o Pix em nenhum canal oficial, incluindo sua conta no Truth Social.
O que diz o governo brasileiro
Até o momento, o governo brasileiro não publicou qualquer nota oficial respondendo à investigação da USTR sobre comércio digital.
A última manifestação pública relacionada ao comércio bilateral com os EUA foi uma publicação na Agência Gov sobre uma carta conjunta entre o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), enviada em 15 de julho de 2025, ao Secretário de Comercio dos EUA Howard Lutnick e ao Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, tratando exclusivamente da “indignação” perante a retomada de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.
Essa publicação não menciona o Pix, o setor digital, nem a investigação da USTR.
Link direto para a publicação no portal Agência Gov:
🔗 https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202507/governo-e-itamaraty-enviam-carta-ao-governo-dos-eua-sobre-tarifas-indignacao
O Pix está em risco?
Segundo especialistas ouvidos por agências internacionais, o anúncio da investigação não tem efeito direto imediato. Mesmo que o setor de pagamentos digitais esteja incluído na análise, não significa que o Pix será penalizado ou questionado oficialmente.
Além disso, não houve nenhuma notificação formal ao Brasil, como exige o rito diplomático para esse tipo de processo.
Veículos internacionais reforçam a cautela
A Reuters destacou que a investigação abrange práticas digitais, mas que o foco está em questões estruturais de mercado, e não em sistemas específicos como o Pix.
“Não há menções a tecnologias específicas ou medidas contra plataformas individuais.”
— Reuters, 16/07/2025
📎 Fontes internacionais consultadas
- Comunicado oficial do USTR (16/07/2025)
- Reuters – US launches trade investigation into Brazil (16/07/2025)
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