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Governo zera IPI para carros sustentáveis fabricados no Brasil

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O governo federal anunciou em 10 de julho de 2025 a isenção total do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para modelos de entrada com alta eficiência energética fabricados no Brasil. A medida faz parte do programa Carro Sustentável, ligado à política pública Mover – Mobilidade Verde e Inovação.

O objetivo é incentivar a produção de veículos com menor emissão de carbono, reciclabilidade de materiais e segurança veicular. A decisão foi oficializada por meio de decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin.

Quais veículos terão IPI zerado?

Para se enquadrar no benefício de IPI zero, o veículo deve atender aos seguintes critérios:

  • Emissão inferior a 83g de CO₂/km
  • Mais de 80% dos materiais recicláveis
  • Ser montado no Brasil, incluindo motor, soldagem, pintura e montagem final
  • Pertencer à categoria de entrada ou compacto

Entre os carros com IPI reduzido ou zerado estão:

  • Volkswagen Polo Track
  • Chevrolet Onix
  • Renault Kwid
  • Fiat Mobi
  • Fiat Argo

A estimativa é que os descontos variem entre R$ 5.000 e R$ 8.000, de acordo com o modelo e a alíquota anterior aplicada.

A medida é válida até dezembro de 2026 e busca estimular não apenas a indústria nacional, mas também a transição energética da frota automotiva.

IPI Verde: pontuação ambiental define nova alíquota

Além da isenção para veículos mais sustentáveis, foi estabelecido um novo modelo de cálculo do IPI, com base em critérios técnicos como:

  • Eficiência energética (km/l ou kWh/km)
  • Emissão de gases poluentes
  • Reciclabilidade e conteúdo reciclado
  • Desempenho em testes de segurança

Como fica o IPI para os outros veículos?

O novo sistema estabelece uma alíquota base de:

  • 6,3% para veículos de passeio
  • 3,9% para veículos comerciais leves

Essas alíquotas serão ajustadas para mais ou para menos conforme critérios técnicos — o que significa que veículos com baixa eficiência energética ou alto índice de emissões poderão ter o imposto aumentado.

Especialistas apontam que carros 1.0 turbo e SUVs que não cumprirem os critérios de sustentabilidade podem ficar mais caros nos próximos meses.

Impacto nos preços e na indústria

A mudança traz reflexos imediatos para o bolso do consumidor:

  • Redução nos preços finais de carros populares
    Modelos com IPI zerado já apresentam queda de até R$ 8.000 nas concessionárias, segundo levantamento da FENABRAVE.
  • Reorganização da indústria automotiva
    Montadoras se movimentam para adaptar linhas de produção e atender aos novos requisitos técnicos, estimulando a inovação tecnológica e a cadeia de autopeças nacional.
  • Entrada de novos investimentos
    O governo estima que o programa MOVER deve atrair até R$ 190 bilhões em investimentos privados no setor automotivo e de mobilidade sustentável até 2030.

Comparação internacional

O Brasil sempre figurou entre os países com maior carga tributária sobre veículos, com impostos representando entre 45% e 50% do valor final de um carro novo. Com a nova política, o país busca se alinhar a práticas internacionais, reduzindo o custo para o consumidor e ampliando o acesso a tecnologias limpas — prática comum em mercados como Alemanha, Japão e Coreia do Sul.

O IPI será extinto?

Vale lembrar que o IPI, como imposto federal, está previsto para ser extinto gradualmente com a implementação da Reforma Tributária (EC 132/2023). A transição terá início em 2027 e deve ser concluída até 2033, quando será substituído por um Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) em âmbito nacional.

Objetivo ambiental e social

O programa é uma tentativa do governo de alinhar a política industrial à pauta climática global e ao compromisso assumido na COP 30. Segundo Alckmin, trata-se de uma política que promove empregos e protege o meio ambiente sem gerar aumento na carga tributária geral.

“É um passo fundamental na construção de uma nova indústria automotiva verde, social e competitiva”, declarou o ministro.

Para o consumidor, trata-se de uma janela de oportunidade: quem deseja trocar de carro pode se beneficiar dos novos preços e incentivos até 2026. Para a indústria, é o momento de se adaptar às novas exigências e apostar em tecnologia limpa.

Fontes oficiais utilizadas

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